terça-feira, 11 de março de 2008

Este é um trecho do meu Romance

PARTE 1 Triste, muito triste o que se passava com Paulo. Bêbedo, sentado na mesa de um clube noturno. Tomava a oitava doses de vodca e fumava o 15º cigarro, quando uma mulher de pouco menos de 30 anos, que mesmo de aparência sofrida, tinha uma beleza que era natural, vestida com uma roupa provocante, pára próxima a sua mesa oferecidamente, e pergunta: - Está triste moço? – completa - O Senhor desejar alguma coisa? Ele abana a cabeça que não. Ela fala novamente: - A cidade aqui é pequena, eu nunca lhe vi antes! – Rompendo o silêncio, quase que num tom de desabafo ele diz: - É eu cheguei aqui hoje, por volta das 4 horas da tarde. Disseram que aqui é bom de emprego, eu vim tentar. – secamente, sem rodeio a moça fala: - Que nada moço, aqui só vence na vida quem tem sorte. Um olhar triste golpeia o rosto de Paulo, que com um sorriso melancólico, balança a cabeça negativamente e pensa: “Sorte, uma coisa que eu nunca tive”. Convida-a para sentar e pergunta seu nome. Sorrindo ela senta à mesa e diz: - Mafalda. Estende a mão e completa: - Às suas ordens! Interessadamente ela pergunta de onde ele era e desinteressadamente ele diz: - Eu sou do Norte. Ela quis saber como ele, vindo de tão longe, teria chegado àquela pequena cidade. - Eu morava no Acre. – diz ele - Meu pai era um seringueiro. Daqueles que saíram do nordeste na Segunda Guerra para cortar borracha para os paises aliados. Depois de muito tempo, conseguimos umas terrinhas. Chegaram uns fazendeiros por lá, começaram a pressionar, compraram as terras ao redor e praticamente meu pai não teve alternativa. Os fazendeiros diziam que o dinheiro que pagariam dava pra gente comprar uma casa na cidade. Pura enganação. O dinheiro que ele deu quase que não dá nem para gente chegar a Rio Branco. Chegando lá fomos para um bairro da periferia onde encontramos muitas famílias que como nós, haviam sido enganadas. Como o dinheiro não tinha dado para nada, resolvemos ocupar junto com aquela gente um pedaço de terra. Era uma invasão muito grande. A polícia chegou, houve muita confusão. - Pára, balança a cabeça e continua. - Parece que foi hoje... . Baixa o olhar e não diz mais nada. Mafalda parece concentrada na história do rapaz. Ela acende um cigarro e como quem entendeu tudo confirma: - seu pai morreu! Ele só balança a cabeça que sim. Ela pergunta: - E o restante de sua família? Como você chegou aqui? -Eu não conheci minha mãe. Quando eu nasci ela me deixou com meu pai e fugiu com o outro homem. As pessoas diziam até que eu nem era filho dele. Mas ele nunca deixava ninguém tocar nesse assunto. Ele me criou. Ele me amava. -E os outros da sua família quis saber Mafalda? – Ele disse que seu pai havia perdido todo contato com a família, que eram do Ceará. Ele ainda até que tentou encontrar algum parente, mas sem sucesso. Resolveu então ir para o Sul. Aí eu conheci a Neide. Quando fala em Neide fica triste. - Nunca eu vou esquecer a Neide. Pausa. - Deixa prá lá. Mas... Então Continuando. Um ano depois eu estava em BH. Não tive muita sorte. Trabalhei num banco, tava até bem posicionado, mas sumiu um dinheiro, acusaram-me de ter facilitado. Aí, me demitiram sem nada. Justa causa. Não tive nem chance de defesa. Foi difícil. Dá um suspiro e continua: - Aí, disseram que a terrinha aqui é boa. Estou eu aqui. Mafalda levanta o braço e pede ao garçom um copo de vodca. Talvez para continuar a conversa, pergunta sobre Neide: - E essa Neide? Você falou dela de uma maneira tão especial. Paulo baixa a cabeça e fala: - É verdade, eu a amo. Quando eu cheguei a Capital deste Estado eu a conheci. A família dela era montada na grana. Eu é que já não tinha mais nem emprego. Nós dormimos uma vez juntos, ela ficou grávida, o pai soube, mandou me dar uma surra, e começou a me perseguir. Disse que se eu não sumisse, mandava me matar. Se fosse só a gravidez, eles até que teriam permitido agente ficar juntos. Mas os velhos não admitiam a idéia da filha deles se envolver com um cara feito eu. Sem família, sem dinheiro, sem nada. Eu tive que sumir deixando-a grávida. Desde esse dia nunca mais a vi. Nem sei se eles a deixaram ter o bebê. Acho até que ela aceitou as imposições dos país. - Mafalda percebe que essa conversa encheram os olhos de Paulo de lágrimas, levanta-se estende à mão a ele e diz: - você já bebeu demais. Vamos párar. Eu vou levá-lo para o seu hotel. - Ele diz: -Eu não estou em hotel. Ela completa: - para sua casa para o que seja, mas vamos embora. Assim, amanhã você não descansa para procurar emprego. - Eu não tenho casa disse ele. Eu não tenho nada. Decididamente ela diz. - Então vamos. Eu o levo para minha. Onde estão suas coisas? - Eu não tenho coisas, o que eu tenho está aqui comigo. – Mafalda sente pena. Paulo tira os últimos trocados do bolso, paga a conta e saem. Ambos chegam a casa dela. Se é que aquele muquifo poderia ser chamado de casa. Na verdade era uma morada bem simples. A sala, a cozinha e o quarto eram todos num cômodo só. Um sofá velho de um lugar, apoiado na parede, uma mesa coberta por uma toalha com estampa de frutas, uma velha cômoda colonial, uma cama de molas, um ventilador de teto, uma geladeira e uma pia que demarcavam a cozinha, eram os únicos móveis do local. Ele pede para tomar um banho. Quando sai do banheiro enrolado numa toalha, ela abre a gaveta da cômoda, revira as roupas e retira uma do fundo. Ele observa que existem várias roupas de homem. Ela pega uma peça, entrega-o que surpreendido questiona: - Roupas de homem na sua casa? Você é casada? Ela não ouve a pergunta, ou faz-se que não a ouviu. Ele torna a perguntar: - De quem são essas roupas? Ela hesita, mas vagarosamente, responde: - Essas roupas. - Pausa. - Olha, há um ano eu convivia com um gringo. Passamos uns seis meses juntos. Um dia ele chegou pra mim e disse que havia batido uma saudade danada da terra dele e que iria embora. Mas isso, ele já estava de passagem comprada. Ele foi, disse que talvez voltasse. Mas nunca nem ligou. Aí, eu tive que vender meus carinhos novamente. – como quem se defende completa: Tinha que me virar né? Paulo olha para ela, uma mulher bonita, mas que parecia já ter levado muito castigo na escola da vida. Torna a perguntá-la: - E por que você não foi com ele? - Ele nem me chamou – com cara arrependida completa. – Eu também não pedi para ir – querendo mudar de assunto continua: - Você ainda não me falou seu nome! Levando a mão à cabeça ele diz: - Desculpa, meu nome é Paulo. Não querendo mais retrogradar ao assunto anterior, ela fala: - Não vai aceitar a roupa que lhe ofereci Paulo? Ele pega o trajo. Como a habitação não tem compartimentos separados ele diz: - Você não vai virar o rosto? Vai ficar aí, me vendo trocar de roupa? - Eu sou habituada com essas coisas, mas tudo bem! Se você se incomoda! Ela vira a cabeça e fica de frente para a parede. - Não é que eu prefira. Continua ele: É que você está sendo tão legal comigo que eu acho que você merece respeito. Ela dá um sorriso sarcástico e fala: - Respeito. Quanto tempo eu não sei o que é isso. Eles não respeitam agente. - Eles quem? – quis saber ele curioso. - Os homens que freqüentam a casa noturna. - Mão na cintura, virando-se para ele e pergunta: _ Você acha que eu estava lá fazendo o que!??? Nesse meio tempo, Paulo já havia tirada a toalha, vestido a roupa e sentado à beira da cama. Ele pergunta à hora e a rapariga responde: - Meia noite. – e apontando para um canto da casa continua. Você quer dormir pode deitar nesta cama. Era a única que havia no lugar. Ele percebeu que iriam dormir juntos, ou então ela iria dormir em outro local. Rede não havia. Mas ele não fez perguntas. Deitou-se de costa, olhos bem abertos e ficou no suspense. “Será que Mafalda iria deitar na cama com ele”? Ela tomou banho, vestiu uma camisola preta de cetim, apagou a luz do quarto e acendeu a do banheiro, cuja porta adrede entreaberta, deixava passar um resto de luz, que repousando ao lado do leito funcionava como um abajur.
SEMANA QUE VEM PUBLICO A SEGUNDA PARTE - DEIXE SE COMENTÁRIO, SUA OPINIÃO SERÁ MUITO IMPORTANTE PARA MIM.

4 comentários:

leylianne disse...

Ola naldo, vc tem uma boa imaginação misturada com a realidade vivida em epocas passadas. Ao ler este pequeno romance me coloquei naquela situação vivida pelos personagens chega ser ate legal, ou pensei sera que os autores qdo escreve traz um pouco de si.....beijos Leyliane

Anônimo disse...

Parabéns! Muito bom. Vc é demais. Vou está esperando a continuação.
Um abraço,
Marcelo Jucá

Anônimo disse...

Oi,Evinaldo. Gostei muito do inicio, faz a gente se sente vivendo a história. Estou esperando a continuação

Arlene Medeiros

Unknown disse...

Até que enfim, resolvestes publicar teu romance. Eu que estava com saudades do Paulo e da Mafalda me esbaldei com o aperitivo do primeiro capítulo e já estou ansiosa para degustar o segundo. Você é MARAVILHOSO.

Beijos.

CHRISTINA

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Rio Branco, Acre, Brazil
Um pouco desiludido com os políticos, mas ainda na esparança de dias melhores.