terça-feira, 25 de março de 2008
PARTE 2
Ela deitou-se na cama suavemente, mas nervosa não conseguia relaxar. Os olhos bem abertos e as pupilas dilatadas denunciavam sua apreensão. Tamanha aflição parecia sugerir ser a primeira vez a deitar-se ao lado de um homem. Alguns segundos depois, muda a posição do corpo e pergunta:
- Está muito quente? Quer que eu abra a janela?
- Está quente, diz ele, mas não adianta abrir a janela. - Vira para o outro lado e seus rostos ficam um de frente ao outro. Olha-se por alguns segundos, ele diz: - O calor não é externo. É aqui dentro. São nossos corpos. - Ele toca o rosto dela que fecha os olhos, respira bem fundo e não diz nada. Ao sentir o toque das mãos de Paulo, Mafalda não se conteve, consentiu e cedeu caricias. Estavam totalmente envolvidos. Se sobrava emoção e faltava razão o tempo é quem iria dizer. A realidade era que ambos já não conseguiam mais segurar os seus desejos. O rangido das molas do colchão e o barulho vindo das palhetas do ventilador de teto eram os únicos sons que permeavam os sussurros e gemidos de Mafalda, que uma hora depois, caia no sono feito uma criança.
No outro dia pela manhã quando Paulo desperta. O café já sobre a mesa e Mafalda que lhe observara desde o amanhecer pergunta; - dormiu bem?
- Há anos que eu não tinha uma noite tão especial como essa. Ela radiante diz:
- Você é que é especial. – você é um homem diferente. Desliza os dedos sobre o rosto dele e finda a caricia com um beijo.
Ele toma banho, se arruma e diz.
- Eu vou procurar emprego e depois um lugar para ficar. Ela censura. Balançando a cabeça em sinal de negação é incisiva.
- Nada disso. Você vai ficar aqui. Quando você descolar um emprego aí nós dividimos as despesas, ou então você vai para outro lugar se quiser. Por enquanto não. Você fica aqui comigo. Agradecido ele a beija e sai à procura de emprego. Já são meio dia e nada. A cada local aonde chega à resposta é a mesma. Não temos vagas. Está lotado. Passe depois e assim por diante. Ao cair à tarde, entrar numa fábrica de refrigerantes, fala com o dono e finalmente consegue uma colocação. É admitido como gerente de vendas.
Exultante regressa a casa e divide sua alegria com Mafalda. Beijos, abraços, pulos e muitos sorrisos. Parece que uma velha sidra retirada provincialmente da geladeira, servida em dois copos comuns de extrato de tomate, marcava não só a comemoração do fato, mas selava o inicio de uma história de amor. Tudo parecia caminhar para a felicidade, até que um fato, porém, veio ameaçar à continuidade daquela alegria.
Ao cair da noite, Mafalda se arruma como quem vai sair e Paulo pergunta:
- Aonde você vai? Ela hesita um pouco e responde:
- Eu trabalho no clube noturno esqueceu?
- Você não vai mais.
- Eu não posso deixar de ir – completa ela – Eu tenho um contrato assinado
- Você é minha, eu não vou admitir que você sendo minha mulher se entregue aqueles homens. Eu estou trabalhando, o que eu ganho dá para sustentar nós dois. Depois você pode arranjar outro emprego.
- Será que não dá para você entende Paulo, que eu não posso fazer uma coisa dessas!
Não dá por quê? Você gosta é? É prazer? É Fetiche. É o que?
Mafalda põe o dedo em riste na cara de Paulo e fala:
- Eu não admito que você fale assim comigo. Esse é o meu trabalho. Você tem que respeitar.
Paulo balança a cabeça, põe a mão no rosto respira fundo e conclui:
- Se você for, quando retornar eu não estarei aqui.
- A escolha e sua Paulo. Eu tenho um contrato para cumprir, não posso falhar. Eu já falhei uma vez. Quando gringo apareceu, me fez mil promessas. Disse que fazia e acontecia. Fez-... agora você me pede para fazer isso? balançando a cabeça sentencia: - Não. Não posso.
Saí deixando-o a porta aberta. Mas nem ela mesma estava convencida de que era aquilo que realmente deveria fazer.
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- Rio Branco, Acre, Brazil
- Um pouco desiludido com os políticos, mas ainda na esparança de dias melhores.
3 comentários:
Parabéns! Muito bom.
Um bom final de semana!
Um abraço,
Marcelo Jucá
ficou otimo só esta confuso quem deu o beijo na hora em que ele saiu para procurar emprego.
O comentário do Leitor acima, faz sentido.Na verdade é paulo quem beija Mafalda. Já corrigimos o erro!
Obrigado
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