domingo, 6 de abril de 2008

PARTE 3 - TRAIÇÃO

Ele troca de roupa, põe seus pertences numa mochila e sai à procura de outro abrigo. Chega numa pensão e é informado de que teria que pagar o primeiro mês adiantado. - Mas eu não tenho dinheiro agora – insiste – Eu começo trabalhar amanhã... - Não dá. - Diz a proprietária – deixe de ser persistente moço, eu já disse que sem adiantamento não dá. Paulo não baixa a cabeça, malcriadamente arremata: - Eu quero que a senhora e sua pensão... – percebe que ia falar disparate, emenda em tom baixo – tenham muito sucesso. Sai dali derrotado. Vai em várias pensões hoteizinhos, mas sem dinheiro não obtém sucesso. Sem saída retorna a casa de Mafalda, que ainda estava no clube. No clube noturno ela discute: - Por favor, seu Bira, eu queria um contrato só para dançar. - De forma irônica ele dá de ombros: - Por quê? Agora está querendo se regenerar é? Ofendida na alma, mas sem deixar transluzir ela diz: - Sim, eu estou gostando de um homem. E quero mudar de vida. Não posso? Por quê?Diga-me? Estou fadada à vida toda a ser biraia? Bira um homem rude, que não mede palavras, inclina a cabeça para frente e com voz articuladamente profere: - Há é assim é? Bocado comigo, bocado esquecido. – e em tom áspero aponta o dedo indicador em direção a ela: - Olha, você esqueceu que eu já fiz isso uma vez quando você conheceu o tal do gringo. Eu só te dispensei porque faltava um mês para terminar o contato. Mas agora? – levantando as duas mãos, mostrando cinco dedos de uma e dois da outra: - Faltam sete meses. Transtornada ela argumenta: - Tudo bem. Faça como quiser mais eu não venho mais. – Baixando o tom de voz, repete palavra por palavra: . – NÃO VENHO MAIS. - Se você sair hoje, nunca mais ponha os pés aqui no clube. E olha bem, eu não vou facilitar nada para você. Você vai me pagar o prejuízo centavo por centavos. Em prantos ela sai dali. Decidida a procurar Paulo em todas as pensões, hotéis o que fosse. Surpresa o encontra em casa. - Eu voltei – diz ela. - Eu tinha certeza que você voltava. - É eu deixei o clube. Está vendo essas sacolas. E aponta para a porta. – são os meus pertences que estavam lá. Eu não volto mais pra lá. – confortando-a ele fala: - Eu vou ganhar bem. Dá para agente ir vivendo. Depois você também pode arranjar um emprego. Aquilo é... – ela completa. - Um meio de sobreviver. Ele concorda e repete. - Um meio de sobreviver. – E abraçando-a por trás, arrasta-a para a cama e completa: - Mas agora nós vamos viver. Ela fecha os olhos suavemente, morde o lábio inferior e suspira. Despindo-a parte por parte, ele vai beijando-a nos lábios, queixo, desce pelo pescoço, escorregar sobre os seios, vai deslizado para baixo enquanto suas mãos fazem o trajeto inverso que só pára quando são enchidas pelos seios de Mafalda. A noite é curta e o dia logo amanhece. Meses depois Paulo já de trabalho novo, tem seus pensamentos voltados para a antiga namorada que abandonara forçosamente há três anos. Questionava-se se ela teria tido a criança. Tinha vontade de se comunicar. Mas como jamais uma carta chagaria lá nas mãos da amada. Não com aqueles pais que ela tinha. Ele tinha certeza que ela ainda o amava. E seu filho? Será que era um menino? Uma menina? Pensava: “será que parece comigo”. Eram esses os pensamentos de Paulo. Depois de um mês no novo emprego resolveu escreve uma carta para a mãe de seu filho. Dias se passaram e não obteve reposta. Definitivamente ele não deveria ficar remoendo o passado. Aquilo tudo era águas passada. NOUTRA CIDADE Numa rica casa, lá estava Neide, seus pais e seu filho, cujo nome propositadamente era o mesmo de Paulo. O rapaz não se enganara em seus pensamentos quando acha que Neide ainda lhe ama. Desde o dia de sua saída, todo dia ela espera noticias, e cada dia tem uma nova esperança. Paulinho tem tudo, desde amor até os mais sofisticados brinquedos, mas falta lhe o principal; como toda criança sente falta do pai. O que ele sabia do pai era que estava viajando. Só isso. Sempre ele perguntava: - Quando o pai volta? – a resposta era sempre. – Ele não volta. Paulinho, um menino inteligente, três anos fala: - Mas a senhora falou que ele volta. – O avô fala ao menino. – Filho a sua mãe vai casar, e você vai ganhar outro pai. – mas Paulinho nunca esquece de querer ter um pai. Neide estava noiva e ia casar-se com Edílson. Gostava do rapaz, mas amor mesmo, ainda sentia por Paulo. Ela sabia que nunca iria esquecê-lo. O casamento era só uma válvula de escape, uma vã tentativa de esquecer o passado, que ainda fantasiava, na esperança de um dia reencontrar o ex-amado. De volta a Tobias Barreto – Sergipe. Na fábrica onde Paulo trabalha, o dono tem que ficar ausente um mês, Norma sua filha de 23 anos quem assume a presidência. A moça se interessa por Paulo, toda noite ambos saem. Pulo só chega em casa de madrugada. Mafalda que não é ingênua sente que tem rabo de saia na jogada e abre o jogo com Paulo. - Senta aqui. Escuta. Você me fez largar o meu emprego, você falou que me amava. - emprego? Questiona ele surpreso. – você chama aquilo de emprego? Essa e boa! - diz de forma irônica. Calmamente ela retruca. - Isso não vem ao caso, o que eu estou questionando são essas suas chegadas à madrugada Paulo. Você está me traindo! Eu não admito ser enganada. – ele se aproxima dela dengosos e diz: Eu te amo meu amor. Não tem nada de mulher. –ele desfaça bem, Mafalda acalma-se. Mas está certa que de tem caroço nesse angu. Às duas horas eles deitam. Ele aguarda a aproximação dele que nem percebe e agarra no sono. Fato que se repete nos dias seguinte. Um belo dia, Paulo se arruma, Mafalda pergunta: - Aonde você vai? – Ele naturalmente fala: - Vou jogar uma sinuca, sair, conversar com uns amigos. – ela sabe que aquilo não era verdade. E perguntou se poderia ir com ele. – Hoje não amor, só tem homem. Outro dia agente combina de sair os casais. Ela balança a cabeça que está tudo bem. Ele sai e vai até a casa de Norma, e meia hora depois já estavam em um barzinho rindo, cantando, dançando e beijando-se. Em casa sozinha, Mafalda entediada assiste televisão, quando Julia, sua amiga encontra a porta entreaberta, entra e diz: - Mafalda, eu vim aqui porque eu sou sua amiga. E agora mesmo eu estava num bar e vi o Paulo com uma mulher. - Julia fala do que viu sem economizar nos detalhes, e ainda os aumentos normais desse tipo de conversa. Mafada Fala: - Eu vou lá. - virando-se para a amiga e batendo com a mão na face direita completa: - Eu quero vê-lo olhando na minha cara. Ele vai ver do que eu sou capaz! - proferiu essas palavras já transtornada de ódio.

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns esta ficando ótimo,mas vamos a correção:voce quis dizer biraia ou piranha? comigo ou comido? as frase a seguir está faltando algo: Ele se aproxima ...e diz:eu te mão meu amor(não entendi). Ele aguarda a aproximação dele que ...(quem aguarda aproximação de quem?)
Arlene Medeiros

naldo disse...

Cara Arlene,

A palavra é Biraia mesmo, que segundo o aurélio, é o mesmo que meretriz.

Em relação ao restante, você tem toda razão, e já foi devidamente corrigido.

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Um pouco desiludido com os políticos, mas ainda na esparança de dias melhores.